Rui Manuel Amaral

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A opinião de Marcio Salgado, na revista brasileira “João do Rio”

In Uncategorized on 21/04/2011 at 13:30

A ficção portuguesa se renova

Nos dois livros que publicou, o escritor português Rui Manuel Amaral revelou-se um ficcionista de grande talento. Autor de contos brevíssimos, ele surpreende não só pelo poder de concisão, mas, por semear as suas histórias com miríades de eventos absurdos.

Parafraseando o autor em suas insólitas notas de pé de páginas, esclareço que miríade aqui não tem um sentido literal, não se relaciona a dez mil, nem significa uma quantidade ilimitada, mesmo porque as suas narrativas não se estendem por mais de trinta linhas.

No seu mais recente livro, Doutor Avalanche, Rui Manuel Amaral consolida o seu estilo narrativo marcado pela ironia e pelo nonsense, onde os eventos mais simples ganham contornos extraordinários e personagens de nomes bizarros se dissolvem num piscar de olhos.

Nas entrelinhas das suas microficções, vê-se que tudo se desenvolve de forma, ao mesmo tempo, absurda e lógica. Vale observar que é próprio da criação artística, estabelecer as leis que regem o mundo criado e dar a ele uma aparência de verdade. O leitor tem o direito de aderir ou não à proposta do criador. Mas, neste caso, quando ele toma ciência do absurdo proposto, já foi capturado.

Da mesma maneira como o foi o pescador pelos peixes que se rebelaram, diante dos sucessivos desencontros entre eles. O autor conta esta história em “O que os peixes decidiram fazer”. No total, são três parágrafos que delimitam, de forma sutil, começo, meio e fim. “O caso é que, por uma sucessão de intermináveis azares e infortúnios, pescador e peixes falhavam sempre os seus encontros” (p.33). Neste trecho se expressa mais uma marca da sua escrita: o malogro de personagens enredados em um mundo de pequenos absurdos.

Já a narrativa do fabricante de olhos de vidro aponta outro destino para o engenhoso personagem que “emprestava uma centelha da sua própria visão a cada olho que saía da sua oficina”(p. 25). O fato de ter mergulhado em profunda cegueira não o levou à derrota total. Skila Krivonóssovitch – este é o seu nome – imaginou algo diferente para escapar daquele infortúnio: “Cortou as orelhas e substituiu-as por réplicas de vidro. A idéia era passar a ver com os ouvidos”(p. 25). Como observa o próprio narrador “nem tudo no mundo tem que ter lógica ou obedecer a uma sintaxe perfeita”(p. 26).

Há que se registrar ainda a inclusão dos fragmentos poéticos intercalados entre as ficções. São poemetos que inspiram o mesmo clima onde o contraditório é a regra. Juntos, eles poderiam formar um único poema. O leitor atento saberá apreciar essas ilustrações poéticas.

Em um país de tradição literária como Portugal, onde pontuam nomes como Fernando Pessoa, José Saramago e Antonio Lobo Antunes, para citar apenas alguns entre os modernos, é sempre arriscado falar em renovação da literatura. Mas o fato é que somente alguns autores são capazes desta façanha: oferecer aos seus leitores o prazer de uma nova linguagem.

Rui Manuel Amaral não se situa, esteticamente, próximo dos autores citados. Os exóticos nomes dos seus personagens recusam o manto da tradição. Mas os seus achados sem lógica e o seu estilo inventivo zombam da própria condição humana, desmascaram convenções e arejam o ambiente com humor e poesia.

Marcio Salgado, revista “João do Rio”, Ano 8 – Número 48, Abril/Maio de 2011.
Disponível aqui.

“Caravana” lançado em língua árabe

In Uncategorized on 11/04/2011 at 08:49

O primeiro livro de Rui Manuel Amaral, Caravana, publicado pela Angelus Novus, em 2008, acaba de conhecer a sua primeira versão em língua árabe.
A tradução é de Saïd Benabdelouahed, professor de Língua e Literatura Hispânicas na Faculdade de Letras da Universidade Hassan II Ain Chok (Casablanca), e tradutor de Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner, Miguel Torga, Nuno Júdice e Mário de Carvalho.
A edição é das Éditions Dar Attaouhidi, de Rabat, e teve o apoio do Ministério da Cultura/Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas.



Contacto das Éditions Dar Attaouhidi: 118, Rue Napoli Ocean, Rabat, Maroc.
Mail: darattaouhidi@yahoo.fr